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Edição 95, Abr./Jun. 2011


Sumário
Editorial



Sumário:

7 Um desígnio nacional
Rui Leão Martinho

9 A economia do mar
Aníbal Cavaco Silva

14 Economia e política do mar
João Confraria

17 Portugal e a exploração dos oceanos
José Félix Ribeiro

22 Portugal e o desafio marítimo
José de Almeida Serra

29 O mar como um recurso económico de Portugal
Tiago Pitta e Cunha

35 O mar e uma nova economia para Portugal
José Poças Esteves

41 Rumo ao mar do futuro
Nuno Vieira Matias

46 Um raminho de salsa
José Bastos Saldanha

52 O turismo de mar
João Martins Vieira

56 Investigar e inovar
Luís Valente de Oliveira

60 A investigação do mar ao serviço da economia
Agostinho Ramos da Silva

65 Um desafio ao desenvolvimento sustentável
Glória Rebelo

71 A vantagem competitiva do mar
Francisco Jaime Quesado

73 A indústria naval portuguesa
Óscar N. F. Mota

78 As novas tecnologias e as oportunidades
dos portos nacionais

Lídia Sequeira

84 Portos e transportes marítimos
João Carvalho

88 A pesca, um mar de oportunidades
António Miguel Cunha

92 A indústria de conservas de peixe
Narciso Castro e Melo

97 Falta cumprir-se Portugal
Nicolau Santos



Editorial: 

Um desígnio nacional

Portugal vive neste momento uma fase muito difícil da sua longa existência de país europeu soberano e independente, a mais grave desde a adesão europeia.

Na verdade, vivemos a última década com o pior crescimento económico dos últimos noventa anos, atingimos a pior dívida pública, em percentagem do PIB, dos últimos cento e sessenta anos, a taxa de desemprego atingiu já a pior taxa dos últimos noventa anos, a dívida externa do País é a maior dos últimos cento e vinte anos, a vaga de emigração é a segunda maior dos últimos cento e sessenta anos, somos dos países mais endividados do mundo a que se associa a menor taxa de poupança dos últimos cinquenta anos e a terceira pior taxa de abandono escolar dos países da OCDE.

Daí a necessidade de auxílio a que Portugal teve de recorrer, pela terceira vez desde 1974, e que nos vai obrigar a mudar de vida, cidadãos, empresas, Governo,  administração central e local, no sentido de voltarmos a repor o País nos limites aceitáveis de endividamento e equilíbrio orçamental, assegurar o funcionamento regular do sistema financeiro e criar condições para o crescimento económico.

A reposição do rigor, da ética, da valorização do mérito e do trabalho são necessários e indispensáveis para ultrapassarmos a intricada situação em que nos encontramos.

É imperativo reencontrar uma trajectória de crescimento. E, entre os vários caminhos à nossa disposição, está o mar e todas as potencialidades que a partir dele podemos vir a desenvolver.

Os Cadernos de Economia dedicam este número à economia do mar e contam entre as colaborações várias, que recebemos e agradecemos reconhecidamente, a do Senhor Presidente da República, bem como de vários especialistas desta área que nos vão auxiliar a compreender melhor tudo o que se relaciona com este desígnio nacional.

A exploração económica da plataforma continental portuguesa implica levar em conta que, para além das actividades marítimas tradicionais, há novas utilizações que advêm da existência e exploração devida dos portos e transportes marítimos, do desenvolvimento de indústrias de energias renováveis, da aquacultura e da exploração dos recursos vivos do mar, em geral, do turismo, quer costeiro, quer marítimo, quer de cruzeiros, da expansão das tecnologias marítimas, da gestão e monitorização ambiental do mar e da biotecnologia marinha.

Tal como acentua um dos maiores estudiosos desta matéria, o Dr. Tiago Pitta e Cunha, "temos o Presidente da República a liderar esta causa do mar e temos estudos e estratégias. Temos até a crise económica que nos empurra para novos destinos. O que nos falta então?"

Vamos, pois, apostar na economia do mar, sem tibiezas, mas com trabalho, imaginação, inovação e persistência, no sentido de contribuirmos para o crescimento, desenvolvimento e internacionalização da nossa economia.

O caminho da retoma é cada vez mais íngreme, passa por muitas alterações, muito trabalho e capacidade de execução e realização das metas a que nos propusemos. Mas o regresso ao crescimento económico é possível e passa também por recolocar o mar no papel que lhe compete no futuro de Portugal.



Rui Leão Martinho

             




 

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