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Edição 94, Jan./Mar. 2011


Sumário
Editorial



Sumário:

7 A "outra" economia
Rui Leão Martinho

9 A emergência de uma alternativa
João Wengorovius Meneses

14 Alternativa ao capitalismo?
Manuela Silva

20 A economia social e
a mudança de paradigma

Maria Margarida Corrêa de Aguiar

25 Solução de recurso?
Paula Guimarães

30 As (des)venturas do
Modelo Social Europeu
Cristina Matos

34 A constituição social
Filipe Carreira da Silva

37 Pobreza e emprego:
respostas da economia social

Glória Rebelo

44 Exclusão: inclusão ou explosão?
José de Almeida Serra

50 Antes do mercado
e para além do mercado

Manuel de Lemos

54 A economia social
e o mutualismo

Alberto Ramalheira

60 Contra o preconceito
de menoridade

Maria de Belém Roseira

62 Um novo paradigma
Eugénio Fonseca

66 Economia social
e fundações

Carlos Monjardino

70 O desenvolvimento da
economia social em Portugal

Eduardo Graça

75 Caixas económicas
em Portugal

Pedro Sameiro

81 Cooperativas, Seguros e Mútua
Jerónimo Teixeira

86 As fronteiras entre
a economia e a sociedade

Francisco Jaime Quesado

89 Vamos deitar a casa abaixo
Nicolau Santos



Editorial: 

A "outra" economia

Este é o primeiro número dos Cadernos de Economia deste ano de 2011. É, igualmente, a primeira edição desta publicação em que me cabe a responsabilidade de, como Director, vos endereçar algumas palavras. De facto, só no início de Janeiro fui empossado como Bastonário e, após muitos anos de colaboração com os Cadernos como autor de algumas reflexões sobre aspectos vários da Economia, compete-me agora transmitir-vos as minhas saudações e uma ideia geral sobre o tema que atravessa a presente edição.

Numa altura de tanta preocupação e de tanta dúvida quanto ao caminho a seguir, nada mais adequado do que ler alguns dos nossos melhores acerca da economia social, dos seus ganhos ao longo dos anos, da vivência em Portugal e noutros países e do que pode vir a ser o futuro.

Um naipe de profissionais, quer do mundo académico, quer do mundo empresarial, escreve e disserta sobre estas temáticas e permite-nos concluir que o caminho já feito tem as suas virtualidades e ganhos adquiridos, embora deva ser corrigido de acordo com a situação económica e financeira que se vive e que deve ser prosseguido adequando-o ao tempo e às condições presentes.

Na verdade, Portugal enfrenta uma crise económica, financeira e social derivada de problemas que vêm de longe e nunca foram resolvidos, alavancada pela crise internacional que nos assola desde há mais de três anos. O resultado destes anos perdidos espelha-se nos elevados níveis de endividamento público e privado, nos défices orçamentais acumulados, no aumento do défice externo, na falta de resposta da nossa economia, a que se irá juntar o custo de socialização das perdas da desalavancagem financeira que já está em curso.

A necessidade imperiosa de mudarmos de vida, modificar os hábitos de consumo, incrementar a poupança de famílias e empresas, repor valores éticos e valorizar o mérito ainda torna mais imperioso que se pense na economia social como uma instituição imprescindível para o crescimento económico estável e sustentável ao serviço das pessoas, levando a uma mais importante participação e responsabilização, quer individual, quer colectiva.

A desalavancagem que, habitualmente, se refere à área financeira deve também entender-se como um processo que deve passar pelo reconhecimento da economia social como originadora de valor, de progresso e de coesão.

Serão, decerto, anos de trabalho e esforço, mas se o fizermos com aplicação, entusiasmo e profissionalismo certamente emergirá uma nova estrutura de sociedade, diversa daquela que hoje vivemos, com uma mais sã orientação, mais competitiva, inovadora e produtiva e onde a economia social e a intervenção cívica têm relevância para o desenvolvimento sustentável a que aspiramos, encontrando finalmente equilíbrios fundamentais e perduráveis.



Rui Leão Martinho

             




 

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