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Sumário: 7
A
"outra" economia
Rui Leão Martinho
9 A emergência de uma
alternativa João
Wengorovius Meneses
14 Alternativa ao
capitalismo? Manuela
Silva
20 A economia social
e
a mudança de paradigma
Maria Margarida Corrêa de Aguiar
25 Solução de
recurso?
Paula Guimarães
30 As (des)venturas
do
Modelo Social Europeu
Cristina Matos
34 A constituição
social
Filipe Carreira da Silva
37 Pobreza e
emprego:
respostas da economia
social
Glória Rebelo
44 Exclusão: inclusão
ou explosão?
José de Almeida Serra
50 Antes do mercado
e para além do mercado
Manuel de Lemos
54 A economia
social
e o mutualismo
Alberto Ramalheira
60 Contra o
preconceito
de menoridade
Maria de Belém Roseira
62 Um novo
paradigma
Eugénio Fonseca
66 Economia social
e fundações
Carlos Monjardino
70 O desenvolvimento
da
economia social em
Portugal
Eduardo Graça
75 Caixas
económicas
em Portugal
Pedro Sameiro
81 Cooperativas,
Seguros e Mútua
Jerónimo Teixeira
86 As fronteiras
entre
a economia e a sociedade
Francisco Jaime Quesado
89 Vamos deitar a casa
abaixo
Nicolau Santos
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Editorial:
A "outra"
economia
Este
é o primeiro número dos Cadernos de
Economia deste ano de 2011. É,
igualmente, a primeira edição desta
publicação em que me cabe a
responsabilidade de, como Director, vos
endereçar algumas palavras. De facto,
só no início de Janeiro fui empossado
como Bastonário e, após muitos anos de
colaboração com os Cadernos como autor
de algumas reflexões sobre aspectos
vários da Economia, compete-me agora
transmitir-vos as minhas saudações e
uma ideia geral sobre o tema que
atravessa a presente edição.
Numa altura de tanta preocupação e de
tanta dúvida quanto ao caminho a seguir,
nada mais adequado do que ler alguns dos
nossos melhores acerca da economia
social, dos seus ganhos ao longo dos
anos, da vivência em Portugal e noutros
países e do que pode vir a ser o
futuro.
Um naipe de profissionais, quer do mundo
académico, quer do mundo empresarial,
escreve e disserta sobre estas temáticas
e permite-nos concluir que o caminho já
feito tem as suas virtualidades e ganhos
adquiridos, embora deva ser corrigido de
acordo com a situação económica e
financeira que se vive e que deve ser
prosseguido adequando-o ao tempo e às
condições presentes.
Na verdade, Portugal enfrenta uma crise
económica, financeira e social derivada
de problemas que vêm de longe e nunca
foram resolvidos, alavancada pela crise
internacional que nos assola desde há
mais de três anos. O resultado destes
anos perdidos espelha-se nos elevados
níveis de endividamento público e
privado, nos défices orçamentais
acumulados, no aumento do défice externo,
na falta de resposta da nossa economia, a
que se irá juntar o custo de socialização
das perdas da desalavancagem financeira
que já está em curso.
A necessidade imperiosa de mudarmos de
vida, modificar os hábitos de consumo,
incrementar a poupança de famílias e
empresas, repor valores éticos e
valorizar o mérito ainda torna mais
imperioso que se pense na economia social
como uma instituição imprescindível para
o crescimento económico estável e
sustentável ao serviço das pessoas,
levando a uma mais importante
participação e responsabilização, quer
individual, quer colectiva.
A desalavancagem que, habitualmente, se
refere à área financeira deve também
entender-se como um processo que deve
passar pelo reconhecimento da economia
social como originadora de valor, de
progresso e de coesão.
Serão, decerto, anos de trabalho e
esforço, mas se o fizermos com aplicação,
entusiasmo e profissionalismo certamente
emergirá uma nova estrutura de sociedade,
diversa daquela que hoje vivemos, com uma
mais sã orientação, mais competitiva,
inovadora e produtiva e onde a economia
social e a intervenção cívica têm
relevância para o desenvolvimento
sustentável a que aspiramos, encontrando
finalmente equilíbrios fundamentais e
perduráveis.
Rui Leão Martinho
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