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Edição 89, Out./Dez. 2009


Sumário
Editorial



Sumário:

3 Um beco... com saídas
Francisco Murteira Nabo

7 Crise: a verdadeira causa
João Ferreira do Amaral

9 Business as usual?
Mário Murteira

16 Novos tempos
Manuela Ferreira Leite

19 Agora, a crise estrutural
José António Barros

22 Desafios para a
economia portuguesa
Jorge Rocha de Matos

26 Reformular estratégias
José António Silva

30 Repensar políticas e o
modelo de desenvolvimento

Eugénio Rosa

33 IDE em Portugal
em tempo de crise

José Gonzaga Rosa

42 Prioridades para uma
internacionalização ganhadora

José António Vieira da Silva

45 A Marca Portugal
Fernanda Ilhéu

52 A aposta numa Sociedade
da Inovação

Francisco Jaime Quesado

55 A sociedade anti-envelhecimento
Rui Leão Martinho

57 Mercado de trabalho:
o desafio demográfico

Glória Rebelo

61 Revisitar o desenvolvimento
regional

Adriano Pimpão

64 O pós-crise
e o futuro da banca

Luís Mira Amaral

71 Seguros: o caminho
para o Solvência II

Fernando Nogueira

75 Justiça: condenação sem apelo
nem agravo

Victor Marques

80 Agricultura: a UE, a PAC
e os OGM

António Cipriano Pinheiro
José Pimentel de Castro Coelho

85 2008 e 2009: anni horribiles
para o turismo nacional

João Martins Vieira

91 Situação do sector automóvel
em 2009

Hélder Pedro

98 Empresas sustentáveis
num sector em crise

Esmeralda Dourado

102 A ilusão fiscal na economia
Paulo Reis Mourão

105 O pior não foi a crise
Nicolau Santos



Editorial: 

Um beco... com saídas

No dia 2 de Dezembro corrente, os quatro partidos da oposição parlamentar anunciaram que estão de acordo quanto ao alargamento do prazo do subsídio de desemprego. Deixando agora de lado qualquer teorização de índole económica, importa reconhecer que se trata de uma medida que, no plano social, ninguém em Portugal ousa contestar.

Por outro lado, no Parlamento e fora dele, os mesmos partidos vêm insistindo, uns com mais ênfase do que outros, na absoluta necessidade de reduzir a despesa do Estado como forma de controlar o défice orçamental. Também aqui, o aplauso é geral. Na verdade, a redução da despesa pública é um princípio defendido por todos – até pelos cidadãos que usufruem de ajudas estatais e pelas empresas que beneficiam de apoios que vêm impedindo o seu encerramento...

E quanto a receitas? Repare-se nas outras medidas “simpáticas”aprovadas estemês na Assembleia da República: extinção do Pagamento Especial por Conta, uma medida que contribui para o combate à fraude fiscal; derrota da proposta do Executivo sobre o novo regime dos descontos para a segurança social.

Como todas as forças políticas continuam a manifestar-se contra o aumento dos impostos, parece-nos que têm razão aqueles que consideraram ter o País entrado num beco com poucas saídas pacíficas.

Entretanto, e perante o alheamento de partidos e instituições responsáveis, diversas organizações internacionais, com destaque para o FMI, alertam para os riscos da situação portuguesa – com a quarta maior dívida da zona euro, um défice de 8% e um desemprego em crescendo. E, sobretudo, com uma produtividade/competitividade particularmente baixa – causa primeira de todos os problemas económicos.

A manutenção da turbulência verbal dos últimos dias poderia indiciar a impossibilidade de um entendimento mínimo entre as oposições e quem tem a responsabilidade de governar. A confirmar-se tal cenário, o País avançaria para uma fase de ingovernabilidade.

Cremos que tal não vai acontecer. Acreditamos que o radicalismo traduzido no extremar de posições no Parlamento, dará lugar a atitudes responsáveis, de todas as partes, em benefício dos interesses do País. Aliás, surgiram recentemente algumas declarações de dirigentes partidários relativas a acordos visando a aprovação do Orçamento do Estado para 2010, as quais são motivo para algum optimismo.

Mas é preciso olhar para além do OE-2010. É preciso acolher propostas sensatas, como a que acaba de fazer o Governador do Banco de Portugal, ao sugerir um plano credível de redução do défice orçamental, cujas linhas centrais possam abranger todos os órgãos de soberania. Uma tarefa difícil, mas que não pode deixar de ser tentada – sob pena de vermos diminuídas as saídas para o beco em que caímos.><



Francisco Murteira Nabo

             




 

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