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Edição 88, Jul./Set. 2009


Sumário
Editorial



Sumário:

7 Reforma permanente
Francisco Murteira Nabo

8 A reforma da segurança social
em Portugal
Glória Rebelo

15 A reforma da protecção social
no entreacto
Fernando Ribeiro Mendes

21 Um mundo grisalho
Stella António

30 Pensões de reforma:
algumas interrogações

José Almeida Serra

38 A sustentabilidade
da segurança social
e a coesão social
Rui Leão Martinho

42 Estado social:
reforçar selectivamente

Maria Margarida
de Lucena Corrêa de Aguiar

47 A caminho da sustentabilidade
Pedro Marques

54 Um sistema multirregime
Rui Pedras

60 Previdência e poupança
na Europa social

Carlos Pereira da Silva

64 Exemplo para outras reformas
José Antóno Barros

67 A situação dos pensionistas
em Portugal

Eugénio Rosa

71 Reinventar
a confiança do cidadão

Francisco Jaime Quesado

73 Fé no sistema...
e nas mudanças

Nicolau Santos



Editorial: 

Reforma permanente

A crise que, há mais de dois anos, o mundo vem vivendo, evidenciou a importância do Estado Social. Que o digam os muitos milhares de cidadãos portugueses, nomeadamente os mais afectados pela perda dos seus postos de trabalho.

Entende-se, assim, o relevo que tem sido dado à sustentabilidade da segurança social – talvez o único tema “difícil” onde nestes dias parece surgir um certo consenso, com divergências mais de forma do que de substância.

Trata-se de uma tendência que só os próximos tempos confirmarão; mas, pelo menos a nível dos discursos, é notório que se vão esbatendo algumas diferenças de pensamento, embora subsistam discordâncias significativas, particularmente quanto ao financiamento das pensões - cujo valor global, refira-se de passagem, atingiu em 2008 qualquer coisa como 12.818 milhões de euros.

De qualquer modo, importa sublinhar que tendo em conta a evolução demográfica (em 30 anos, os portugueses passaram a viver mais 10!), o equilíbrio das contas da segurança social, de forma sustentada, exige reformas quase permanentes – e algumas poderão ser bastante dolorosas.

Reconheça-se, entretanto, que a reforma de 2007, acordada com os parceiros sociais, terá sido a medida mais ousada dos últimos anos em Portugal. Somos levados a concordar com Nicolau Santos, quando defende (páginas 73 e 74 desta edição) que “a reforma portuguesa da segurança social é justamente considerada como uma das mais avançadas da Europa e um modelo a seguir pelo Velho Continente”.

Mas, insiste-se, a manutenção do Estado Social é incompatível com meros “ajustamentos estáticos”, antes impondo reformas constantes.

Os constrangimentos orçamentais, o espartilho do Pacto de Estabilidade e Crescimento – cuja “suspensão”, por efeitos da actual crise global, é temporária – aconselham muita vigilância nas contas públicas, podendo mesmo determinar alterações antes consideradas improváveis.><



Francisco Murteira Nabo

             




 

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