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Sumário:
7
Encurtar
o caminho da Europa
Francisco Murteira Nabo
9 As infra-estruturas
como factor de crescimento
Mário Lino
12
Os
(novos) projectos
e as prioridades do País
Fernando Nunes da Silva
20
Um desafio e uma oportunidade
Paulo Pereira
25
A sustentabilidade das novas
estruturas viárias
Paulo Cruz
29
Missões e justificações
dos investimentos
José Manuel Viegas
34
Alternativas de localização
do novo aeroporto de Lisboa
Carlos Matias Ramos
António Lemonde de Macedo
Eduarda Beja Neves
44
As "certezas absolutas"
que o tempo vem julgando
Carlos Madeira
51
O aeroporto de Beja-Alentejo
José Queiroz
60
Uma nova estratégia de negócios
dos transportes aéreos
Adriano Pimpão
Antónia Correia
66
Um aeroporto português
Joaquim Evaristo da Silva
70
O investimento no
sector ferroviário
Manuel Margarido Tão
76
Estradas 2.0
José Diogo Madeira
79
A importância da mobilidade
Carlos de Melo Ribeiro
82
Tempo de concretizar
Manuel Frasquilho
88
A plataforma logística de Leixões
João Pedro Matos Fernandes
João Pedro Braga da Cruz
91
O parque logístico
de Vila Franca de Xira
Pedro Santana
95
As operações logísticas
e de transporte
José Luís Simões
98
O eixo Setúbal-Madrid
Carlos Gouveia Lopes
102
As cidades como pólos
de desenvolvimento
Mário de Jesus
108
Portugal (ainda) não é
plano
Francisco Jaime Quesado
111
Região de Lisboa:
Infra-estruturas de nova geração
António Fonseca Ferreira
115
Um novo (e diferente)
ciclo
de investimento
Filipe Soares Franco
122
Por um futuro
sustentável
André Amaro
125
No país
das polémicas
António Mota
130
Os riscos de uma
competição
(financeira) desigual
Luís Parreirão
137
O mundo mudou
e nós temos de mudar
Nicolau Santos
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Editorial:
Encurtar o caminho da Europa
Após vários anos de estagnação, aí estão,
outra vez, as grandes
obras públicas. Com efeito, a próxima década parece vir a ser dominada
pela criação de vultosas infra-estruturas nacionais, prevendo-se que
até 2017 estejam em funcionamento as mais emblemáticas: aeroportos de
Lisboa (Alcochete) e de Beja-Alentejo; rede de alta velocidade
ferroviária e ponte Chelas-Barreiro. Serão, ainda, construídas
importantes plataformas logísticas (urbanas, portuárias e
transfronteiriças), além de mais de mil quilómetros de estradas e
auto-estradas – tudo com um custo da ordem dos 50 mil milhões de euros.
Obras
desta envergadura não podiam deixar de gerar “movimentações” de índole
diversa – desde o estimulante debate entre “keynesianos” e “liberais”
sobre aspectos teóricos interessantes, até às discussões de cariz
político-partidário não raro assentes em alegados “interesses
eleitorais”, passando por frias (e particularmente oportunas) análises
técnicas acerca da sustentabilidade das decisões do Poder.
Não
deixando de reconhecer a pertinência de muitos dos argumentos daqueles
que defendem a reformulação, e, mesmo, a suspensão, de algumas das
obras projectadas, sustento que, apesar de tudo, a concretização do
plano anunciado é, globalmente, aquilo que, neste momento, melhor serve
os interesses do País. E não apenas porque urge revitalizar uma
economia que não queremos anémica – e para isso há interesse, também,
em impulsionar a locomotiva construção civil.
Há algumas razões
para repensar/suspender os investimentos previstos, mas há muitas mais
para os apoiar na sua globalidade. Para além do mais, é preciso não
esquecer que, nos tempos que correm, obras desta natureza não assentam
exclusivamente (talvez nem essencialmente) no sector do betão, mas
dependem decisivamente da investigação e da inovação – e por isso me
parecem fulcrais as parcerias, em estudo, entre as empresas e as
universidades. Por outro lado, embora o investimento público seja
elevado, há uma grande comparticipação do sector privado e dos fundos
comunitários.
Como se disse, a realização de um conjunto de
obras de grande dimensão suscita sempre controvérsia, com legítima
argumentação cruzada. Todavia, feitos os estudos necessários, promovido
o debate que se impunha, garantido o financiamento (público, privado e
comunitário), chegou a hora da concretização. Portugal não pode
continuar a adiar a construção de estruturas como o novo aeroporto de
Lisboa, as plataformas logísticas e o caminho-de-ferro de alta
velocidade. Na verdade, Portugal não pode afastar-se (ainda) mais da
Europa.><
Francisco
Murteira Nabo
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