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Edição 83, Abr./Jun. 2008


Sumário
Editorial



Sumário:

7 Encurtar o caminho da Europa
Francisco Murteira Nabo

9 As infra-estruturas
como factor de crescimento

Mário Lino

12 Os (novos) projectos
e as prioridades do País

Fernando Nunes da Silva

20 Um desafio e uma oportunidade
Paulo Pereira

25 A sustentabilidade das novas
estruturas viárias

Paulo Cruz

29 Missões e justificações
dos investimentos

José Manuel Viegas

34 Alternativas de localização
do novo aeroporto de Lisboa

Carlos Matias Ramos
António Lemonde de Macedo
Eduarda Beja Neves

44 As "certezas absolutas"
que o tempo vem julgando

Carlos Madeira

51 O aeroporto de Beja-Alentejo
José Queiroz

60 Uma nova estratégia de negócios
dos transportes aéreos

Adriano Pimpão
Antónia Correia

66 Um aeroporto português
Joaquim Evaristo da Silva

70 O investimento no sector ferroviário
Manuel Margarido Tão

76 Estradas 2.0
José Diogo Madeira

79 A importância da mobilidade
Carlos de Melo Ribeiro

82 Tempo de concretizar
Manuel Frasquilho

88 A plataforma logística de Leixões
João Pedro Matos Fernandes
João Pedro Braga da Cruz

91 O parque logístico
de Vila Franca de Xira

Pedro Santana

95 As operações logísticas
e de transporte

José Luís Simões

98 O eixo Setúbal-Madrid
Carlos Gouveia Lopes

102 As cidades como pólos
de desenvolvimento

Mário de Jesus

108 Portugal (ainda) não é plano
Francisco Jaime Quesado

111 Região de Lisboa:
Infra-estruturas de nova geração

António Fonseca Ferreira

115 Um novo (e diferente) ciclo
de investimento

Filipe Soares Franco

122 Por um futuro sustentável
André Amaro

125 No país das polémicas
António Mota

130 Os riscos de uma competição
(financeira) desigual

Luís Parreirão

137 O mundo mudou
e nós temos de mudar

Nicolau Santos


Editorial: 

Encurtar o caminho da Europa

Após vários anos de estagnação, aí estão, outra vez, as grandes obras públicas. Com efeito, a próxima década parece vir a ser dominada pela criação de vultosas infra-estruturas nacionais, prevendo-se que até 2017 estejam em funcionamento as mais emblemáticas: aeroportos de Lisboa (Alcochete) e de Beja-Alentejo; rede de alta velocidade ferroviária e ponte Chelas-Barreiro. Serão, ainda, construídas importantes plataformas logísticas (urbanas, portuárias e transfronteiriças), além de mais de mil quilómetros de estradas e auto-estradas – tudo com um custo da ordem dos 50 mil milhões de euros.

Obras desta envergadura não podiam deixar de gerar “movimentações” de índole diversa – desde o estimulante debate entre “keynesianos” e “liberais” sobre aspectos teóricos interessantes, até às discussões de cariz político-partidário não raro assentes em alegados “interesses eleitorais”, passando por frias (e particularmente oportunas) análises técnicas acerca da sustentabilidade das decisões do Poder.

Não deixando de reconhecer a pertinência de muitos dos argumentos daqueles que defendem a reformulação, e, mesmo, a suspensão, de algumas das obras projectadas, sustento que, apesar de tudo, a concretização do plano anunciado é, globalmente, aquilo que, neste momento, melhor serve os interesses do País. E não apenas porque urge revitalizar uma economia que não queremos anémica – e para isso há interesse, também, em impulsionar a locomotiva construção civil.

Há algumas razões para repensar/suspender os investimentos previstos, mas há muitas mais para os apoiar na sua globalidade. Para além do mais, é preciso não esquecer que, nos tempos que correm, obras desta natureza não assentam exclusivamente (talvez nem essencialmente) no sector do betão, mas dependem decisivamente da investigação e da inovação – e por isso me parecem fulcrais as parcerias, em estudo, entre as empresas e as universidades. Por outro lado, embora o investimento público seja elevado, há uma grande comparticipação do sector privado e dos fundos comunitários.

Como se disse, a realização de um conjunto de obras de grande dimensão suscita sempre controvérsia, com legítima argumentação cruzada. Todavia, feitos os estudos necessários, promovido o debate que se impunha, garantido o financiamento (público, privado e comunitário), chegou a hora da concretização. Portugal não pode continuar a adiar a construção de estruturas como o novo aeroporto de Lisboa, as plataformas logísticas e o caminho-de-ferro de alta velocidade. Na verdade, Portugal não pode afastar-se (ainda) mais da Europa.><

Francisco Murteira Nabo

             




 

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